Cinco Votos para Obter Poder Espiritual.

Primeiro - Trate Seriamente com o Pecado. Segundo - Não Seja Dono de Coisa Alguma. Terceiro - Nunca se Defenda. Quarto - Nunca Passe Adiante Algo que Prejudique Alguém. Quinto - Nunca Aceite Qualquer Glória. A.W. Tozer

quinta-feira, 23 de março de 2017

Tempo de Decisão


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Fonte: Site Chácara Primavera



segunda-feira, 20 de março de 2017

SILAS MALAFAIA PROMETE DESMASCARAR PAULO JÚNIOR, SE ENROLA E NÃO RESPONDE NADA

 
Silas Malafaia gastou mais de 18 minutos do seu programa de sábado (18) para dar uma resposta ao pastor Paulo Junior, líder da Igreja Aliança do Calvário, que em um vídeo publicado em seu canal “Em Defesa do Evangelho”, citou por nome o pastor da Igreja Assembléia de Deus Vitória em Cristo, denunciando-o por suas heresias (vídeos no final do post).
Malafaia usou o programa para reafirmar as referências de sua liderança e teologia e também, para não perder o costume, insultar a todos que discordam das suas falácias e criticam a sua Teologia da Prosperidade, chamando-os de crentes insubmissos, invejosos, caídos ou destruídos espiritualmente.
O resumo de tudo que ouvimos foi:
1) Silas Malafaia: “Quem era você quando eu já estava na TV, para falar de mim?” Ou seja, ao contrário do que Paulo aconselhou a Timóteo (1 Tm 4.12), Malafaia tenta dizer: “a tua mocidade [Paulo Jr.] não te legitima a falar nada contra os mais antigos”.
Como Silas é um exímio competidor nos debates, ele induz sempre o argumento Ad Hominen que depõe contra si mesmo. O problema é que as críticas ao Malafaia – e isso ele insiste em não querer perceber – é que não são críticas a ele próprio, mas o que ele prega! Portanto, não se trata de “falar mal dele”, mas sim reafirmar em alto e bom som que no Evangelho os fins não justificam os meios, portanto, o que você faz (pela família e pelo social) pode ser até admirável, mas a centralidade do que você prega, Silas Malafaia, Paulo chamaria de anátema (Gl 1.9).
2) Silas se indignou porque Paulo Júnior teria afirmado que a teologia de Myles Munroe é heresia. Ele retrucou com sua voz nervosa: “Dizer que um cara desse [sic] é herege? Vai lavar tua boca, cara. Eu não conheci até hoje ninguém que falasse com tanta autoridade e clareza sobre o Reino de Deus (…) Eu vou dizer aqui, o homem mais sábio que cruzou na minha vida até hoje foi Myles Munroe. Rapaz… você está mexendo com quem Deus chamou!”.
Bem, a grande questão é que não é apenas “alguma coisa” que o Myles prega de diferente, MAS a centralidade do Evangelho! Pense, se eu tiro as partes centrais do Evangelho e substituo por outra coisa, eu adultero o Evangelho; se eu acrescento (Gl 5.9) algo à obra perfeita de Cristo, eu tenho qualquer outra coisa e não Evangelho; como diria o Dr. J.I. Packer “uma meia verdade que se mascara como se fosse a verdade inteira torna-se uma mentira completa”. – “Mas… o que é que tem de tão grave na teologia do Myles?” Vou citar só duas coisas seríssimas:
a) O mesmo ensinou que Jesus nunca morreu, mas ‘expirou’, soltou o ar que estava nele”. Isso contraria frontalmente o centro do cristianismo e ignora o que apóstolo João diz em João 12:32-23 “Quando [eu] for levantado da Terra, todos atrairei a mim. E dizia isto, significando de que morte havia de morrer” e Paulo em 1 Coríntios 1:18 “A mensagem da morte de Cristo na cruz é loucura para os que estão se perdendo”.
b) Myles defendia claramente que a maior dificuldade para se evangelizar as pessoas hoje em dia é que os crentes insistem em falar sobre sangue, morte e cruz. Para ele a centralidade da mensagem deveria ser o Reino de Deus, lugar onde Deus quer que estejamos – isto é, fale para pessoas de um lugar de bem estar, riquezas, alegria… Ou seja, essas são as “boas novas”, o céu que Jesus anunciou e não a sua morte. Isso contradiz o que o apóstolo Paulo, responsável por grande parte do Novo Testamento, afirma em 1 Coríntios 2:2 “Pois decidi nada saber entre vocês, a não ser Jesus Cristo, e este, crucificado”. Tire mensagem da Cruz e não teremos mais Salvação e consequentemente Evangelho!
3) Silas também advogou a favor de seus gurus Murdock e Cerullo, e a sua argumentação foi a pior possível. Ele divulgou os livros dos supracitados, mostrando e lendo a capa de cada um deles, onde praticamente todos tinham temática sobre: riquezas, liderança, sucesso, batalha espiritual, vitória pessoal, e por aí vai…  Depois ele faz pergunta: “onde está a heresia?” Evidentemente, na pronta-resposta faríamos outra pergunta: “cadê o Evangelho?”.
4) Silas usou critérios pragmáticos para justificar o “não julgueis”. Ele deixou claro que a base de sua análise para saber se algum líder é de Deus ou não, não é o que o pastor ensina, isto é, não é a fidelidade a Palavra, MAS pelo sucesso quantitativo e financeiro de uma igreja. E nesse quesito Malafaia afirmou, nas entrelinhas, que não se deve chamar de herege alguém que tenha certo renome e uma amplitude ministerial. Isso denota algo totalmente oposto ao que as Escrituras Sagradas ensinam! Não havia “sucesso ministerial” para profetas como Ezequias e Jeremias; não havia “sucesso” nas adversidades financeiras, de saúde, nudez e prisões que nortearam a vida ministerial de Paulo (2 Co 11.24-29).
Não se julga um líder pela aceitação de diante dos homens, mas pela fidelidade a Palavra de Deus. Paulo bem sabia disso quando disse: “Porque, persuado eu agora a homens ou a Deus? ou procuro agradar a homens? Se estivesse ainda agradando aos homens, não seria servo de Cristo” (Gálatas 1.10).
5) Silas ainda tentou fazer contorcionismo bíblico ao se utilizar da passagem de Marcos 9.38-40 onde Jesus afirma “quem não é por nós é contra nós”, simplesmente para que ninguém julgue a mensagem e o mensageiro. Ao dizer isso, Malafaia afirma – e ainda no fim do programa confirma – que, ele não julga heresias os ensinos de outros líderes neopentecostais porque os considera parte do mesmo corpo, e que apesar de “algumas diferenças”, eles têm sucesso ministerial evidenciando então que são de Deus!
Vamos a uma rápida ponderação a texto citado por ele:
Primeiro, o que Jesus está falando é que havia um homem que não fazia parte oficialmente do grupo dos doze, e que estava expelindo demônios em seu nome, e que portanto, Jesus ao perceber o orgulho dos seus discípulos não rejeitou a atitude daquele homem – isso deixa claro o princípio de que todos aqueles que se envolvem com a sua causa, devem ser graciosamente reconhecidos. Ou seja, o texto que Malafaia cita não tem como mensagem central “não jugueis líderes de sucesso” ou “a despeito das heresias que eles pregam, não digamos nada, pois Jesus não quer que julguemos”!
Diante disso tudo, o argumento mais fatal que desfaz esse discurso de Silas, é lembrarmo-nos do que Jesus disse a igreja de Éfeso. Aqueles irmãos não se juntavam com o falso ensino dos nicolaítas, nem tampouco queria companheirismo com eles, entretanto o que foi que Jesus disse diante disso? “Não julgueis o que ensinam?”, ou “não falem nada sobre eles, nem digam o nome deles?”, evidente que não. Veja as palavras claras e contundentes de Jesus: “tendes a teu favor que odeias as obras dos nicolaítas, as quais eu também odeio” (Ap 2.6). Cristo mesmo denunciou a falsa obra dos falsos mestres de Éfeso e deixou claro seu repúdio e seu ódio por suas falsas doutrinas!
6) Ainda tentou outro contorcionismo bíblico, quando citou Atos dos apóstolos (5. 38-39), onde é feito menção a uma argumentação de Gamaliel: “deixem estes homens em paz, soltem-nos. Se o propósito ou atividade deles for de origem humana fracassará; se proceder de Deus, vocês não serão capazes de impedi-los, pois se acharão lutando contra Deus”. Pois é, realmente se uma pessoa é cristã e vive não mais para satisfazer suas próprias vontades (Gálatas 2. 20), antes, busca primeiro as coisas do alto e procura pregar o Evangelho e promover o Reino de Deus, daí sim, enquadra-se em Atos 5 citado acima. Mas, se alguém vive baseado no Evangelho da prosperidade, da colheita financeira, das “riquezas prometidas”, então, ao contrário do que Malafaia diz, não é contra Deus que estamos lutando, mas contra um Falso Evangelho.
Por fim, o programa não teve nada de novo, apenas mais uma confirmação de que:
1) Silas continua fechado com o partido de Murdock e Cerullo.
2) Continua um homem autocentrado e baseado no seu esforço meritório.
3) Continua entendendo que sucesso diante de Deus significa sucesso ministerial e financeiro.
4) Continua usando a teoria do “não-julgueis” para ameaçar aqueles que criticam seus ideais.




Por Misael Antognoni
Redação Púlpito CristãoImagem: Filipe Machado
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Fonte: Púlpito Cristão

04 atitudes de um marido ogro
















Volta e meia ouvimos algumas mulheres dizendo:

"Meu marido é  grosso e insensível. Quando pergunto alguma coisa a ele, dependendo do seu humor ele me responde com uma requintada "patada". Sinceramente, estou decepcionada e frustrada com o rumo que meu casamento tomou.  Puxa vida, quando nos conhecemos, ele era doce, amável e  romântico, costumava  me presentear, vivia me elogiando e dizia que eu era tudo em sua vida. Se não bastasse isso,  ele era um homem temente e fiel a Deus. Hoje, ele não vai mais à igreja, me chama de burra e diz que eu não sirvo para nada. As vezes acho que eu me casei com um monstro insensível."

Pois é, lamentavelmente não são poucas as mulheres que pouco tempo depois de casada, descobriram que seus maridos não passam de ogros. Na verdade, parece que alguns homens  depois de casados conseguem se superar quanto a rabugice, não é mesmo?

Pensando nisso resolvi escrever quatro atitudes de um marido ogro que devem ser evitadas por um homem cristão, senão vejamos:

1- Tolerância zero 
2- Impaciência
3- Intransigência
4- Indelicadeza

As Escrituras nos ensinam que o marido deve amar esposa como Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela.” Em Outras Palavras isto significa dizer que o padrão comportamental do homem deve ser o estabelecido por Cristo. Ora,  a  palavra usada para caracterizar o papel do marido é amor. E vamos combinar um coisa? O amor não se exaspera, não se conduz inconvenientemente, não se ufana, não visa seus próprios interesses, nem tampouco é grosso e mal-educado.

Pense nisso!

Renato Vargens 

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Fonte: Site do autor 


quarta-feira, 8 de março de 2017

SOCORRO! CONGRESSO PODE IMPLANTAR ABORTODUTO NO BRASIL

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 A bancada feminista da câmara dos deputados tenta aprovar a PL 7371/2014 "cavalo de Troia", essa lei esta camuflando o real objetivo que a mesma propõe, que é o aborto, à jornalista Joice Hasselmann fala sobre o assunto no vídeo abaixo e explica cada detalhe.  
 





Fonte: Canal do YouTube  Joice Hasselmann 




terça-feira, 7 de março de 2017

A Cabana, o filme – O fracasso desastroso e final do discernimento evangélico.

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A Cabana virou um filme que estreará este mês ( Março de 2017 nos Estados Unidos, e em 13 de Abril de 2017 no Brasil) Este é um filme feito por produtores e atores de Hollywood e não um filme cristão de baixo orçamento. O mundo da publicação vê muito poucos livros atingirem o status de blockbuster, mas "A Cabana", de William Paul Young, já ultrapassou isso. O livro, originalmente auto-publicado por Young e dois amigos, já vendeu mais de 10 milhões de cópias e foi traduzido em mais de trinta línguas. É agora um dos livros de bolso mais vendidos de todos os tempos, e seus leitores estão entusiasmados. Já que virou um filme.


A pergunta é: Que tal o filme A Cabana? A Cabana "oferece uma teodicéia pós-moderna e pós-bíblica"


Segundo Young, o livro foi escrito originalmente para seus próprios filhos. Em essência, pode ser descrito como uma “teodicéia” narrativa - uma tentativa de responder à questão do mal e do caráter de Deus por meio de uma história. Nesta história, o personagem principal está afligido e deprimido pelo  sequestro brutal e assassinato de sua filha de 7 anos, quando ele recebe o que se revela ser uma convocação de Deus para encontrá-lo na mesma cabana onde a filha tinha sido assassinada.


Na cabana, "Mack" encontra a Trindade divina como "Papa", uma mulher afro-americana; Jesus, um carpinteiro judeu; E "Sarayu", uma mulher asiática que é revelada por ser o Espírito Santo. O livro é principalmente uma série de diálogos entre Mack, Papa, Jesus e Sarayu. Essas conversas revelam que Deus é muito diferente do Deus da Bíblia. "Papa" é absolutamente não-julgador ( bem parecido com o Deus de muitos cristãos hoje em dia, que expressam tão bem a nossa cultura), e parece determinado a afirmar que toda a humanidade já está redimida.


A teologia de A Cabana não é acessória à história. Na verdade, na maioria dos pontos, a narrativa parece servir principalmente de estrutura para os diálogos que fixam a teologia proposta. E os diálogos revelam uma teologia que não é convencional na melhor das hipóteses e, sem dúvida, herética em muitos aspectos.

Filme de Ex Ativista Gay Que Se Tornou Pastor Causa Polêmica

  

O elenco é composto por vários atores famosos, mas o filme “Sou Michael”, enfrentou dificuldade de distribuição nos Estados Unidos. O filme que está pronto há 2 anos, somente chegou nos cinemas em fevereiro deste ano.

Um das razões pelos problemas que o filme enfrentou é o tema tratado. O filme conta a história real de um ativista homossexual Michael Glatze (James Franco) que tem um giro de 360 graus na vida. Um verdadeira transformação.


Depoisde começar a assistir cultos emuma igreja cristã, Michael termina o relacionamento com seu companheiro Bennett (Zachary Quinto) e começa a namorar uma mulher (Emma Roberts).

Durante isso, ele clama para ser curado por Deus, para sua vida ser mudada, e assim, ele experimenta essa transformação. Se dedicou a estudar a bíblia e anos mais trade, tornou-se pastor.

O filme descreve o caminho espiritual de Glatze durante sua busca por Deus. Glatze é um jornalista e fundador da revista Gay Jovem América, e ganhou muitos prêmios com este trabalho. No entanto, ele disse que não estava satisfeito.

“Comecei a notar algumas coisas que nunca imaginei, como o fato de que eu estava ‘guiando’ um movimento de pecado e perversão. Estava claro pra mim que a homossexualidade nos impede de encontrar nossa verdadeira personalidade. Quando estamos cegos, não podemos ver a verdade”, escreveu Glatze.

Como esperado, a produção foi massacrada pela crítica, que o acusaram de “querer aparecer” e “homofóbico”.
Hoje, Pastor Glatze cuida de uma pequena igreja na zona rural de Wyoming.


A partir do momento que ele renunciou seu trabalho na revista Jovem Gay Latina, começou a ser perseguido por seus ex companheiros ativistas da LGBT, mas ele persistiu.
Há alguns anos ele publicou: “Estou convencido que Deus me colocou aqui por uma razão. Inclusive nos dias mais escuros que vivi nas festas noturnas, usando drogas e todo tipo de coisas, me perguntei; ‘por que estou aqui? O que estou fazendo?’”.

Em 2007, quando Glatze assumiu sua nova vida publicamente, disse que “deixar de ser manipulado pela mentalidade homossexual era a coisa mais libertadora, linda e surpreendente que já vivi na minha vida”.

Michael Glatze recebeu críticas e foi perseguido pela comunicada homossexual em diversas ocasiões publicava respostas defendendo-se, mas agora tem deixado o silencio falar.

“Estou aqui para viver uma vida honrando a Deus. Como cristão eu seria um mentiroso se não digo as pessoas que é Deus quem tranforma vidas”.

Assista o trailer:




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Consciência Cristã

Via: Púlpito Cristão



segunda-feira, 6 de março de 2017

Meu Herege de Estimação

 

Gostos pessoais nunca deveriam ser colocados em pé de igualdade ao Evangelho. Quando a subjetividade dos gostos pessoais se infiltra no contexto da igreja, a possibilidade de problemas é tão certa como o fulgor do sol do meio-dia. O Evangelho deveria ser o norteador de absolutamente tudo que acontece na igreja, justamente por que a igreja deveria estar sendo conduzida sob a direção do Evangelho. O grande problema que pode ser observado e que se torna um desafio para nossos dias é que os falsos ensinos e falsos mestres estão se multiplicando como fogo em palha, justamente pelo clamor e anseio de gostos pessoais.


Nestes dias tão estranhos, o que deixa grande parte dos crentes irritados já não são os falsos mestres e seus ensinos. O que os aborrece são justamente aqueles que denunciam a perversão do Evangelho e confrontam a operação dos “hereges de estimação”. Percebe-se uma clara inversão de valores e nunca será tarde para combater e bradar contra aquilo que foge ao padrão bíblico, já que não são poucos os tragados pelos falsos ensinos. Disse Spurgeon:

Falsos mestres que hábil e laboriosamente caçam preciosas vidas, devorando homens com suas falsidades, são perigosos e detestáveis como lobos da noite. Corremos muito perigo quando eles se vestem com pele de ovelha. Abençoado é aquele que está livre deles, pois milhares se tornam presas de lobos atrozes que transitam nos arredores da igreja. [1]

Eles estão espalhados, infiltrados por todos os lados. Não se trata de mera especulação ou mesmo de síndrome de conspiração. Basta observar o conteúdo das pregações, congressos, retiros, livros e músicas! Ah as músicas, grande celeiro de ensinos duvidosos, fábrica de ídolos, pervertedores do Evangelho. Livros e mais livros nas fileiras de Best Sellers que ensinam de tudo sob o rótulo de cristão, porém com pouco ou nada de Evangelho. Preletores que movimentam massas e cifras para pregações vazias e com status de show de comédia stand-up. Já que estamos em busca de um avivamento genuíno em nossos dias, que seja algo puro e nutrido pela Palavra de Deus.

Um problema antigo

O que acontece em nossos dias vem se repetindo num desgastante movimento cíclico de geração em geração desde os primórdios da igreja.  Para meditação e comparação com nosso contexto atual, o ponto de partida está na breve – porém profunda – Epístola de Judas, irmão de Tiago (Jd 1), irmão do Senhor Jesus (Mt 13.55; Mc 6.3). Este não deve ser confundido com Judas Iscariotes, o traidor.  Ao lermos os ensinos prestados pelas Escrituras no texto de Judas, versículos 10 ao 13, podemos perceber que as preocupações da igreja naquele momento estão se repetindo em nossos dias. Afinal:

Judas descreve sua obra em termos de exortação e de encorajamento (Jd 3). Obviamente, ele queria fortalecer as igrejas contra falsos mestres que estavam pervertendo o evangelho. Desse modo, ele repetidamente conclamou os crentes a ficarem firmes ou manterem a sua pureza e o evangelho (vv. 3, 20, 21, 24). [2]

Crentes contemporâneos estão cada vez mais lendo as Escrituras de modo alegórico. Pregadores cada vez mais trazendo mensagens relativizadas e carentes de exposição das Escrituras. Cantores compondo e contando letras egocêntricas, focadas no homem e distantes de Deus e sua Palavra. Ainda que às vezes até falem no nome de Deus, tratam com objetivos cada vez mais distantes do Evangelho. João Calvino assim comenta sobre tais homens, dentro do contexto da Epístola de Judas, porém nada diferente dos dias da Reforma Protestante e de nossos dias:

Como os homens destituídos de princípios, sob o título de cristãos, se insinuavam sorrateiramente, cujo principal objetivo era levar os instáveis e fracos a um profundo descaso de Deus, Judas mostra, antes de tudo, que os fiéis não devem deixar-se mover por agentes deste gênero, pelos quais a igreja sempre se viu assaltada; e os exorta ainda a se precaverem, cuidadosamente, de tais pestes. […] Ora, se consideramos o que satanás tem tentado em nossa época, desde quando o evangelho começou a ser vivificado, e quais as artes ele ainda emprega ativamente com o fim de subverter a fé e o temor de Deus, e que utilidade teve esta advertência nos dias e Judas, ela se faz ainda mais que necessária em nossos dias. [3]

Assim como a advertência de Calvino há quase quinhentos anos, comentando sobre a Epístola de Judas, que a igreja já era perturbada por “pestes”, nossos dias mostram pela aplicação da própria Escritura exposta que nossa vigilância precisa ser constante. Ainda que muito prejudiciais para a saúde da igreja, existem aqueles que cegamente lançam-se aos braços dos hereges, cultivando-os como seres de estimação. Infelizmente este sistema de crença demonstra que se trata de uma relação quase comercial, de oferta e demanda: onde existe um herege levantando um falso ensino, existirão corações ávidos para aclamá-lo.

Nas Escrituras

Para amplitude do que está sendo aqui tratado, além da leitura completa da Epístola de Judas, recomenda-se a leitura da 2ª carta de Pedro, pela proximidade e complemento dos assuntos abordados.

Vejamos pela Bíblia:

“Tais indivíduos, porém, zombam de coisas que não entendem. Como criaturas irracionais, agem segundo seus instintos e, desse modo, provocam a própria destruição”. Judas 10

Historicamente os oponentes da igreja que foram combatidos na Epístola de Judas são identificados como pertencentes à seita gnóstica primitiva[4]. Esta seita primitiva alegava que somente os iniciados em seus ensinos eram capazes de chegar ao verdadeiro conhecimento, ou seja, sua religião mística era detentora do caminho perfeito. Zombavam de coisas que não entendiam, pois seguiam seus mestres hereges, como bem descrito por Paulo em 1Tm 4.1. Acharam mestres segundo suas vontades (2Tm 4.1-5) e com isso traziam perversão ao Evangelho de Cristo e perturbação nas reuniões de comunhão dos crentes.

Em nossos dias não são poucos que se lançam a supostas visões e revelações que não encontram qualquer paralelo e respaldo nas Sagradas Escrituras – e pior – vão à contramão daquilo que a Bíblia ensina. Tais pessoas guiam cegos na sua cegueira rumo ao abismo e a destruição. Infelizmente seus seguidores mergulharam em nível de cegueira tão profunda que não aceitam sequer argumentos contrários. Apoiados na tolice e repetição quase como um papagaio de “não julgueis para não ser julgados”, filtram moscas e engolem camelos. Cultivam hereges de estimação.

“Ai deles! Porque entraram pelo caminho de Caim, e foram levados pelo engano do prêmio de Balaão, e pereceram na contradição de Coré.” Judas 11

Aqui está o motivo de tudo. O enganoso coração dos falsos mestres que são postos pela Escritura em pé de igualdade com o que há de pior na Bíblia: Caim, Balaão e Coré. Da mesma forma que Jesus aplica os “ais” de Mateus 23, Judas aplica “ai” para estes que são comparados a Caim, Balaão e Coré.

Caim foi o primeiro assassino registrado nas Escrituras, homem perverso, injusto e vazio de amor, egoísta e egocêntrico. Leia e compare os textos de Gn 4.4-15 e 1Jo 3.11-12. Percebe-se também que Caim é a tentativa frustrada de tentar agradar ou mesmo barganhar com Deus pelos esforços meramente humanos. Pior que toda sua prática reprovável é sua atitude posterior, demonstrando o cinismo e materialismo desafiador de Caim quanto à soberania do Deus vivo. Para benefício próprio, aqueles que agem como Caim desprezam o próximo, são vazios de compaixão, fé e amor, além de passar a ser um claro agente opositor da ação da graça de Deus.

Balaão por sua vez mostra a personalidade do avarento, mentiroso e de coração cheio de cobiça e engano. Para aprofundar o entendimento sobre Balaão, leia Números nos capítulos 22 ao 24. Já em Nm 25 traz a narrativa sobre o erro de Balaão por ter levado o povo de Israel ao caminho da imoralidade e idolatria, ao incentivar Balaque, rei de Moabe, com a introdução de “donzelas” no meio do povo de Deus (veja Nm 31.16). Agiu desta forma, pois tentara amaldiçoar o povo de Deus sendo incapacitado a proferir maldições. Nos dias de hoje os que se assemelham a Balaão alegam que o pecado é algo não tão sério assim e que não existe conseqüência sobre nossos erros, afinal, movidos pela avareza e cobiça de um coração de Balaão, facilmente ocultam o que está errado pelos honorários e lucros financeiros que facilmente desvirtuam a exortação bíblica. Tais homens seriam capazes de vender a própria mãe pela avidez e presunção de seus corações, imagine o que são capazes de fazer com um povo ignorante a respeito da Bíblia? William MacDonald comenta assim sobre Balaão:

Como Balaão, os falsos mestres de hoje são agradáveis e convincentes. Conseguem dizer duas coisas ao mesmo tempo. Em sua ganância, omitem a verdade a fim de aumentar a própria renda e procuram transformar a casa de Deus em casa de negócio. A cristandade de hoje se encontra contaminada pelo pecado da simonia. Se a busca por lucro pudesse, de algum modo, ser removida, muitos trabalhos supostamente cristãos deixariam de existir.[5]

Coré por sua vez apresenta a rebeldia e insubordinação aos valores absolutos. Fala também sobre um princípio de autoridade que fere os ouvidos de muitos – tanto dentro como fora da igreja – em dias de tanto relativismo ético e moral. Filhos desobedientes, empregados rebeldes, membros de igreja facciosos, os exemplos seriam intermináveis. Nm 16 fala sobre a desobediência, cegueira, rebeldia e insubordinação de Coré – em parceria com Datã e Abirão – contra Moisés e Arão. Coré se julgava como um tipo que nos dias de hoje são vistos como um canal, um guru, quase um gnóstico dos dias de Judas. Aqueles que alegam possuir revelações especiais e direções exclusivas – supostamente vindas de Deus – mas que passam longe da revelação bíblica, assim como o norte está do sul. O Novo Testamento fala sobre figuras de postura semelhante à de Coré, como pode ser complementado com a leitura dos textos de Tt 1.9-11; 1Tm 1.19-20 e 3Jo 9,10 que ajudarão a entender melhor as conseqüências desta rebeldia espiritual.

A seqüência do texto de Judas exemplifica como estes três tipos desvirtuam a igreja de seu foco e propósito, sugando sua saúde e tirando propósito da própria comunidade em benefício próprio.

“Estes são manchas em vossas festas de amor, banqueteando-se convosco, e apascentando-se a si mesmos sem temor; são nuvens sem água, levadas pelos ventos de uma para outra parte; são como árvores murchas, infrutíferas, duas vezes mortas, desarraigadas; Ondas impetuosas do mar, que escumam as suas mesmas abominações; estrelas errantes, para os quais está eternamente reservada a negrura das trevas.” Judas 12 – 13

As Festas de Comunhão ou as Ágapes eram momentos de comunhão entre os irmãos da igreja primitiva, muitas vezes apontando até mesmo para a celebração da Ceia do Senhor. Uma vez que estas reuniões ocorriam nas casas, os falsos mestres se infiltraram na comunidade pervertendo a comunhão em licenciosidade, com posturas de gula, desordem, imoralidades e até mesmo orgias. Calvino, ao comentar sobre estes indivíduos, lamenta que este “espírito de tolerância” tenha gerado conivência com o erro ao ponto de ser danoso para igreja:

Eu, em nossos dias, desejaria que houvesse mais critério em alguns bons homens, os quais, procurando ser extremamente bondosos para com homens perversos, causam grande dano em toda a igreja. [6]

Judas emprega uma série de exemplos da natureza e do cotidiano para tratar do cuidado que a igreja deve ter quanto aos falsos mestres, que assim como dito anteriormente, estavam infiltrados na igreja primitiva e continuam infiltrados na igreja contemporânea. Quando o texto emprega “manchas em vossas festas”, fala sobre rochas e recifes submersos (algumas tradução bíblicas empregam exatamente o termo rochas e recifes) que são verdadeiras armadilhas para embarcações no mar podendo levá-las ao naufrágio. Já para os cristãos estes certamente podem naufragar em sua fé diante destes riscos e pela ausência do filtro bíblico em suas vidas.

Estes pervertedores ainda são chamados de “pastores de si mesmos”, numa clara referência a rebeldia de Coré anteriormente relatada. São mestres do egocentrismo, pois apesar de querer conduzir a outros, não são capazes de se deixar ser pastoreados, mostrando claramente que não são ovelhas, mas bodes ou lobos. Não se deixam pastorear, mas levam e afastam as pessoas para os caminhos tortos. São como nuvens sem água, pois apesar do alarido e da promessa de chuva, por onde passam deixam a terra sedenta e seca, apenas tapando o sol temporariamente para que sejam levadas em seguida pelos ventos.

O texto fala ainda sobre árvores sem frutas sem folhas, murchas ou secas, mortos no pecado como conseqüência do afastamento de Deus e de sua palavra. Por dado momento engana a muitos com aparência de piedade e religiosidade fervorosa, até pareceu ter vida, mas na verdade era morta e sem raiz – duplamente mortos.

Por fim o contexto fala ainda sobre os falsos mestres como ondas do mar, que apesar de muito barulho e alarido apenas efetuam o infindável movimento de ir e vir, vomitando suas sujeiras e imundícies, bastando que baixe a maré para que sua impiedade, ganância e avareza fiquem à mostra na areia da praia. Ou ainda os comparando a estrelas cadentes que por um instante brilham no céu e trazem uma passageira beleza, que rapidamente torna-se fora de curso, se perdendo ao apagar na escuridão das trevas, para desgosto dos seguidores.

Conclusões

Nos versículos 20 a 25 da Epístola de Judas, encontramos palavras finais para todo o contexto da carta. Mais uma vez ele apela para que haja sobriedade por parte dos seus leitores e destinatários, bem como hoje para toda a igreja, quanto a postura ética e doutrinária. Além disso, conclama aos cristãos para que sejam edificados na fé, estejam revestidos pelo poder do Espírito Santo e em estado de firmeza e alerta. A Epístola termina com palavras de doxologia (oração de louvor e glorificação) para exaltação do Senhor por sua majestade e glória bem como pelo seu poder de preservação de nossa fé.

Que possamos nos inspirar ainda mais para nossa vida cristã através das palavras desta curta e poderosa carta. Firmes e em prontidão para a defesa do Evangelho e alertando aqueles que insistem em manter estima pelos que pervertem a boa fé alheia.

Por João Rodrigo Weronka

Notas

[1] SPURGEON, Charles H. “Dia a dia com Spurgeon”. Curitiba: Pão Diário, 2015. p.519

[2] COMFORT, Philip W. e ELWELL, Walter A. org. “Dicionário Bíblico Tyndale”. Santo André: Geográfica, 2015. p.1023

[3] CALVINO, João. “Epístolas Gerais”. São José dos Campos: Fiel, 2015. p.497

[4]  WEBB, Robert in REID, Daniel G. ed. “Dicionário teológico do Novo Testamento”. São Paulo: Vida Nova, 2012. p. 780

[5] MACDONALD, William. “Comentário popular do NT”. São Paulo: Mundo Cristão, 2008. p.986

[6] CALVINO, João.  Op. cit. p.513


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Fonte: Púlpito Cristão 


sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

HERNANDES DIAS LOPES - DANIEL O PROFETA



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Fonte: Canal do YouTube Igreja Internacional Seara de Fogo



Tudo pela graça de Deus (Romanos 3:25-31) - Augustus Nicodemus

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Fonte: Canal do YouTube Roberto de Carvalho Forte 


quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

PARA ALÉM DO “INTEGRAL”, O ETERNO

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 “Perambulamos distantes de Deus. Se desejamos retornar à casa de nosso Pai, este mundo deve ser usado, não desfrutado, para que, assim, as coisas invisíveis de Deus sejam vistas claramente, sendo entendidas pelas coisas que são criadas – isto é, por meio do que é material e temporário possamos apreender o que é espiritual e eterno” – Agostinho de Hipona.
Se essa declaração de Agostinho lhe causou mal estar, talvez você tenha um problema. Talvez 0 mesmo que eu tive.
Por muito tempo fui um dualista, buscando as “coisas espirituais” e ignorando a história e a matéria. Educado em uma igreja batista “renovada” e dispensacionalista, tive uma experiência real com Jesus Cristo, e experimentei a graça como uma explosão de amor, na minha adolescência. E com ela veio um terrível mal estar em relação à cultura. Como muitos que percebem essa antítese entre o Reino de Deus e o espírito desse mundo, eu só esperava Jesus voltar.
Então, há uns dezoito anos, passei por uma revolução teológica, entendendo que o evangelho é integral, e inclui a matéria e a história. Foi uma libertação entender que parte da minha angústia em relação ao “mundo” vinha do próprio isolamento cultural em que vivíamos, da falta de categorias para absorver o contraste entre a espiritualidade cristã que eu conhecia e a opacidade de sentido e de moralidade na qual viviam meus incrédulos colegas de sala-de-aula. Desse momento em diante não podia evitar a estranheza ao olhar para antigos “professores” como Keneth Hagin e modelos melhores mas ainda fora-do-eixo, como Watchman Nee (sim, atravessei muitos vales e montanhas antes de me tornar reformado).
Equilibrar-se, no entanto, não é coisa fácil. Na ânsia de combater o “platonismo”  esqueci-me da assimetria entre o Eterno e o temporal, que é parte integrante do cristianismo clássico. Lembro-me de ver os “crentes” típicos, alienados, aguardando Jesus voltar, quase como se fossem fiéis de outra religião. Não estava completamente errado; o gnosticismo é outra religião mesmo. Todo “cristianismo” que recusa a bondade da criação e deseja fazer a assepsia da finitude é gnóstico, tenha ele forma piedosa do asceticismo extremo no romanismo, na igreja oriental ou no puritanismo evangélico, tenha ele a forma iconoclasta da recusa revolucionária das formas concretas e imperfeitas da vida social, como encontramos na tradição política da esquerda. A essa altura, eu subscrevia completamente declarações como a que se segue:
“Não se justifica a concepção da vida plena em termos exclusivamente espirituais. A teologia segundo a qual a vida que Cristo oferece é uma vida ultramundana para além da história, é aparentada ao pensamento grego com sua ênfase na dicotomia entre eternidade e o tempo, a alma e o corpo, o espiritual e o material. Necessita ser corrigida pela visão bíblica, para a qual a esperança escatológica inclui uma nova criação” – René Padilla (Deus e Mamon).
O grande teólogo latinoamericano está certo: o platonismo corrompeu a relação da igreja cristã com a matéria e a história. E Agostinho era… um platonista. Ou, ao menos, alguém muito influenciado pelo platonismo. Mas isso não é a história toda:
“pois não fixamos o olhar nas coisas visíveis, mas naquelas que não se veem; pois as visíveis são temporárias, ao passo que as que não se veem são eternas.” – Paulo Apóstolo (em 2Coríntios 5)
Lembro-me de sentir desconforto lendo esse e vários outros trechos do apóstolo, e como professor de Novo Testamento em uma Faculdade Teológica, tinha certeza de haveria uma explicação “não platônica” para eles. Mas não era  fácil; descobri, que esse e outros trechos paulinos como 1Coríntios 7.29-35 são estudadamente ignorados pelos articuladores de teologias de engajamento histórico e transformação, e a certa altura a pergunta que lutava para emergir não pôde mais ser reprimida: Agostinho era meramente platônico ou não seria simplesmente bíblico? O que estaria por trás do meu incômodo em reconhecer que o pensamento bíblico tanto sustenta a dualidade de eterno e temporal, quando sustenta uma assimetria de valor entre o eterno e o temporal?

De repente toda a questão mais específica da relação entre evangelização e responsabilidade social, e da alegada inexistência de uma prioridade entre evangelização e transformação histórica na missão abriu-se de novo como uma ferida mal-curada. Em 2003 eu estava no CBE2 no SESC em Belo Horizonte quando ouvi o Dr. Russell Shedd defender a prioridade da evangelização e ser logo depois refutado por um teólogo da Missão Integral, para quem essa distinção nem existiria. Saí de lá irremediavelmente incrédulo.
Não da integralidade da missão, que abraço com todo o coração e alma, mas da inexistência de uma dualidade. Mais do que isso até, da inexistência de uma dualidade e de uma assimetria. Exilado de meus recentes confortos teológicos e missiológicos vi-me de novo sozinho num deserto de incertezas, com poucas gotas de satisfação teológica aqui e ali. Lá para 2005 comecei a lançar perguntas sobre os limites da assim-chamada “teologia da missão integral”, que ainda considero cruciais, mas o centro do problema continuava escapando das minhas mãos. Aos poucos eu entendia que a questão era muito maior do que um problema com o discurso de missão integral, tendo relações com a totalidade do discurso moderno de progresso e com a perda de uma teleologia Cristã na cultura ocidental. Ainda se passariam alguns anos antes que eu agarrasse a questão pelo pescoço.
Mas finalmente aconteceu, há uns poucos anos. Alguns dariam sorrisos com o canto da boca ao ouvir-me descobrindo o que sempre lhes foi óbvio, mas não me importa. Redescobrir a assimetria foi como reencontrar um velho amigo. Reconciliei-me com o adolescente que lutava contra o mundo com medo, sim, mas que estava apaixonado pelos céus, e não sabia bem o que fazer com isso. Foi uma alegria dizer a ele que não precisava ter medo da história e da matéria, pois elas mesmas eram suas janelas. “Abra-as bastante, olhe através delas!” E abraçado ao adulto, o adolescente viu os céus.

E o jovem engajado com a história, convicto de que o cristianismo é material, nem ele ficou de lado. Entendi que vale a pena ter um corpo, uma profissão, uma militância, um pertencimento, mas não por que eles nos definam, hoje. Todas essas coisas terminarão no túmulo: trabalho, luta política, justiça social, ciência, arte, sexo, família, igrejas… Mas isso não tem problema. Um dia todos os nossos túmulos ficarão vazios.
Mas esses corpos nunca voltarão como eram, nada continuará como é; há uma brutal descontinuidade entre o corpo dessa morte e o corpo celestial. Há descontinuidade e assimetria, pois a ressurreição não é repristinação, mas ascensão. O corpo celestial não é a mera legitimação do corpo terreno, mas a transparência da matéria e da história para o eterno. E, no fim, é este o seu valor: que contenha o infinito.
Isso faz diferença? Faz, muita. Muda suas prioridades, sua sensibilidade, suas urgências. Muda sua avaliação do que significa ser relevante. Muda sua devoção, e já aviso: é um veneno mortal contra toda ansiedade pragmatista, de “mudar o mundo”, cuja raiz não seja a pura compaixão pelo outro. Quanto aos sonhos revolucionários e as paixões da revolta juvenil, esses terminarão reduzidos a pó. E para seu desespero, você se pegará sonhando acordado com um avivamento espiritual mais vezes do que com coisas decentes e respeitáveis, como uma sociedade sem injustiça – que é o que qualquer pessoa normal faz.
Hoje percebo claramente que em ambas as etapas do meu progresso espiritual aprendi coisas importantes, mas vivi graves incompletudes. Paulo, Agostinho, Boaventura, Tomás de Aquino, Benardo de Claraval, Calvino, Jonathan Edwards e tantos outros, não eram neandertais teológicos que não haviam compreendido o que é um cristianismo maduro e historicamente responsável – que nós, modernos, compreendemos. Não, meus amigos, esses homens sabiam das coisas. A igreja de Jesus sempre soube das coisas, muito antes de Kuyper ou René Padilla.
Não nos ensinou o Senhor que “todas as coisas” é o que recebemos quando buscamos “primeiro o Reino”? Como, então, poderíamos confundir o “reino” com “todas as coisas?” Ser integral, é amar e reconhecer todas as coisas. O Reino de Deus é integral, sim; mas isso não é o mais importante. A coisa mais importante sobre o Reino de Deus não é que ele seja integral, mas que ele é divino. E essa divindade é o que torna sua integralidade tão bela.
E essa é a forma clássica da doutrina Cristã: perder o finito para ganhar o infinito, sem nunca desprezar o finito; e em virtude do infinito retomar o finito, para sempre. A fé encontrará na matéria e na história, e viverá por meio da matéria e da história, e transparecerá por meio da matéria e da história, aquilo que vai além delas, além da  “integralidade”: o Eterno.
Autor: Guilherme de Carvalho 
Fonte: Site do autor 

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